Poeta Jessé Ojuara
*Nunca se nega a ninguém, café, água e Poesia.
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Textos

Ode ao Jumento

Meu transporte na palhoça

Um jegue usando cangalha

Carregava lenha e palha

Produtos da minha roça

Fazendo frete em carroça

Num jirico nosso irmão

Como disse Gonzagão

Levou jesus nosso Santo

Jumento que serviu tanto

Tá em fase de extinção.

 

Ver fazenda moderninha

Causa-me muita saudade

Nos tempos da mocidade

Não tinha drone e motinha

Toda carga que nós tinha

Carregava o Zé Pintão

Grande a sua servidão

Penso e logo vem o pranto

Jumento que serviu tanto

Tá em fase de extinção.

 

Mas quem defende o cordel

Vai lutar pelo jumento

Defender o tombamento

Tirar a lei do papel

Pagar doutô bacharel

Pra ele não virar ração

Ejiao pra dar tesão

Nessa luta eu me agiganto

Jumento que serviu tanto

Tá em fase de extinção.

 

Vê-los sendo abandonados

Pelas estradas e ruas

Fazerem das peles suas

Remédio para abastados

Ver fim da história e legados

Causa dor e comoção

É de cortar coração

Eu lamento em desencanto

Jumento que serviu tanto

Tá em fase de extinção.

 

Mas não basta só chorar

Protestamos com poesia

Sem a nossa revelia

Podemos isso mudar

Quem sabe o burro salvar

Passem já de mão em mão

Esse protesto e oração

Que o salvamos, lhes garanto

Jumento que serviu tanto

Tá em fase de extinção.

Jessé Ojuara e Zilmar de Souza(Mote e glosa 1)
Enviado por Jessé Ojuara em 06/07/2025
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