Cada dia gosto menos
Desse atual carnaval
É carnaval da exclusão
Apartheid social
Vejo isso em todo Brasil
Separação bem hostil
O povão se dando mal.
Que vergonha Salvador
Nossas ruas loteadas
Para instalar Camarotes
Pra não serem misturadas
A elitista nobreza
Quer se afastar da pobreza
Igualdades maquiadas.
Digo há muito já morreu
O carnaval popular
Onde a praça era do povo
Pra brincar e pra pular
Eu vejo hoje escravidão
Pretos cordeiros no chão
Os ricos seguem a explorar.
Camarotes luxuosos
Que só faltam ter piscina
Mas tem até passarela
Ela aumenta adrenalina
Se esse troço desabar
Muita gente vai matar
Apartheid abre a cortina.
Eu vi chorar o Pierrot
Colombina não achou
Estava no camarote
Mordomia a conquistou
Pierrot decepcionado
Quase morre embriagado
E da polícia apanhou.
Devolvam meu carnaval
Empresários usurários
Políticos sem vergonhas
Vermes tão autoritários
Povo quer estravasar
Ou então vão estourar
Chega de tantos calvários.
Salvador, 02/03/25,