Escutei a cantoria
Animada do carão
Um estrondo do trovão
Que logo anunciaria
Chegando uma ventania
Depois do vento, choveu
Na terra a água correu
E o pó da terra sumiu.
A seca se despediu
Quando a chuva apareceu.
Deus mandou pro nosso chão
A chuva tão esperada
A terra ficou molhada
Pra nascer a plantação
Tem água no cacimbão
Barragem também encheu
Escutei dum tio meu
Que me falando sorriu:
‐ A seca se despediu
Quando a chuva apareceu.
Tá bonito de chover
É quase um mantra uma prece
E quando a chuva acontece
Salta aos olhos o prazer
Gente que com o sofrer
Moldou o caráter seu
Lutou, penou e venceu
Voltou até quem partiu
‐ A seca se despediu
Quando a chuva apareceu.
Há festa no meu rincão
O verde pinta a campina
Sonho de mudar a sina
Aquece meu coração
Filhos voltam pro sertão
Rosa abraça seu romeu
Mãe que muito padeceu
De novo seu filho viu
‐ A seca se despediu
Quando a chuva apareceu.
Mas no ar paira incerteza
Até quando vai durar
Poderá novo estiar
Fazer voltar a dureza
Até quando essa pobreza
Matará crente e ateu
Deus a maldade venceu?
Foi sonho que me iludiu
‐ A seca se despediu
Quando a chuva apareceu.
Salvador, 13/2/25
Obs: Mote autor desconhecido.