Poeta Jessé Ojuara
*Nunca se nega a ninguém, café, água e Poesia.
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Textos

Zoológico humano

Dentro de mim tem um zôo

Que requer minha atenção

O melhor é conhecê-lo

Com estudo e precisão

Bicho que mais alimento

Para quem dou mais alento

Assumirá o plantão.

 

Meu macaco é bem esperto

Também espalhafatoso

De tudo quer fazer troça

Às vezes desrespeitoso

Não considera o momento

Sempre muito barulhento

Misto de bobo e tinhoso.

 

Ele perde bom amigo

Contudo nunca a piada

Tentando ser engraçado

Exagera na lacrada

E tudo que é demais sobra

Aí vem o mundo e cobra

Basta dessa presepada.

 

Já meu jumento é teimoso

Por vezes ignorante

Já vi empacar do nada

Mostra-se muito arrogante

Como dono da verdade

Nem sempre só por maldade

É seu jeito petulante.

 

Por isso pena e carrega

Na vida fardo pesado

Mas talvez se ele mudasse

Não seria aliviado

Um erro reconhecer

Pode lhe favorecer

Quem sabe ser perdoado.

 

Minha cobra venenosa

Tem muita sagacidade

Vê e ataca sua presa

Com muita velocidade

Anda sempre procurando

Seus olhos seguem mirando

Qualquer oportunidade.

 

Eu dela gosto e não nego

Porém também sinto medo

Sei que pra sobreviver

Precisa de bom enredo

Um rato ou um boi comer

Pode não satisfazer

Cada qual com seu segredo.

 

Meu coelhinho tão veloz

Ele é do tempo um escravo

E quando perde um segundo

Esbraveja e fica bravo

Chega sempre antes da hora

Atrasar-se lhe apavora

Merece esse desagravo.

 

Mas precisa ser mais zen

Aproveitar mais a vida

Curti melhor o momento

Para que tanta corrida

As vezes não fazer nada

É uma boa sacada

Não ser refém só da lida.

 

Minha astuta águia é tão bela

Alturas é seu domínio

Olha tudo lá de cima

Com precisão e fascínio

Sempre muito seletiva

Narcisa e competitiva

Perde as penas no declínio.

 

Aí vem renovação

Mas esbelta imperial

Nunca perde sua pose

Tem orgulho colossal

Com seu ego sempre inflado

Pode ter reino abalado

Por se sentir sempre a tal.

 

Minha pobre formiguinha

De trabalhar vai morrer

Vive tal qual uma escrava

Não sabe o que é lazer

Pela rainha explorada

Tem uma dura jornada

Triste jeito de viver.

 

Tem inveja da cigarra

Vive pensando no inverno

Devia pensar melhor

Ver que não existe inferno

Pedir carta de alforria

Escapar dessa agonia

Romper o seu terço e o terno.

 

A coruja sempre esperta

Até tenta me alertar

Mostra-me o melhor caminho

Como posso melhorar

A luz do sol da razão

Porém nego digo não

Não aprendo ao caminhar.

 

A minha velha coruja

Rendo meu ode e respeito

Tão sábia e tão moderada

No seu trato sou suspeito

Eu não lhe alimento bem

Para às feras digo amém

Tenho sido mau sujeito.

 

Nesse zoológico humano

Existem mais animais

Alguns eu não mencionei

Porém cada um é capaz

De reconhecer os seus

Apenas citei os meus

Eu até falei demais.

 

Assim findo o meu cordel

Meus bichos apresentei

Porém alguns omiti

Eu com vergonha fiquei

Cada um tem seus segredos

Que cuide e trate seus medos

Sem julgar, eu não julguei.

 

Salvador, 27/01/25,

Jessé Ojuara
Enviado por Jessé Ojuara em 27/01/2025
Alterado em 29/01/2025
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